A chuva e a melancolia

8 Set
imagem: devianART_*curlytops

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por Bárbara Bom Angelo

Gotas pesadas, cheias de promessas de um dia sem dia, ficaram interrompendo meu sono cercado de papéis amassados e rolos de papel higiênico. Me peguei pensando em que momento a chuva deixou de ser motivo para eu dispensar a carona do ônibus da escola e sair serelepe pela rua, toda alegre a me molhar. A única a não ter um sorriso no rosto era minha mãe, que ficava imaginando as horas que levariam para água deixar as tramas do meu uniforme. Mas quando a vida de gente grande se impôs, os estremecimentos do céu mudaram de verbete e se tornaram sinônimo de melancolia, de horas perdidas no trânsito, das ironias de São Pedro, que parece adorar fazer o sol aparecer nos dias de batente e o esconder nos descansos prolongados. Se a gente permite, o tempo vem com sua tendência a ser rabugento e modifica coisas doces, que ficam perdidas pelo caminho. Ainda bem que gripes nos enterram na cama e fazem a mente ir além da rotina. Dia desses vou largar o carro por aí, ao estilo Um Dia de Fúria, e me banhar nas gotas que agora estarão cheias de promessas de uma vida mais leve.

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Uma resposta to “A chuva e a melancolia”

  1. Bruno Bernardo Setembro, 8, 2009 às 10:12 pm #

    Lindo o texto!
    O dia foi mais vazio sem os emails na minha caixa de entrada e mais chato sem a visita rápida para dar um beijo.
    Culpa da chuva….

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