Espelho, espelho meu

16 Set
imagem: Flickr_Enltrelec

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por Natália Albertoni

” (…) O que diz seu espelho? Sempre é o outro que nos encara. É este quem procuramos, quando nos revolvemos entre os corpos estranhos, fugindo de nós mesmos. Pode ser que não exista nenhum outro, somente o nada em nossa alma, que cacareja por ração.”

(Valmont em Quartett – texto de Heiner Müller)

***
É uma pena que os ingressos para “Quartett” estejam esgotados. Gostaria de ter a chance de assistir a peça mais uma vez, só para interpretá-la de outra forma.

Escrita pelo dramaturgo alemão Heiner Müller (1929-1995), dirigida por Robert Wilson e estrelada pela diva francesa das telas e dos palcos, Isabelle Rupert, “Quartett” é de embaralhar os pensamentos.

Apesar dos diálogos, todos em francês, serem acompanhados por legendas foscas e pálidas acima do palco, a compreensão do texto não é absoluta. Além disso, parte do espetáculo é perdida entre uma cena e outra.

Isso porque se as mesmas legendas acompanham o ritmo acelerado das falas intrigantes de Huppert, os olhos do público passeiam insistentes porém sem velocidade suficiente pelo teatro em busca de traduções.

A montagem foi feita sob encomenda do Odeon Théâtre de l’Europe, um dos mais importantes de Paris, e faz parte das comemorações do Ano da França no Brasil. Intrigante, cruel e irônica. Repleta de jogos. De cores, de palavras, de entonações, de sentidos. Lembra de maneira sutil as encruzilhadas dos textos de Samuel Beckett.

Confesso que saí do teatro Paulo Autran, no Sesc Pinheiros, desnorteada, confusa, com as ideias flutuantes. De lá ainda parti para um restaurante com uma amiga afim de discutir tudo aquilo que se passou diante dos nossos olhos.

A conclusão que cheguei talvez seja ingênua, superficial e vazia de certezas, mas tranquilizou meu sono. A verdade, é que no final das contas, o que importa é a sua invenção de si mesmo. Afinal, qualquer coisa na vida é passível de inúmeras interpretações. Até o ser humano, o amor, a traição. O sexo, a morte, a dor. Enfim, a vida.

2 Respostas to “Espelho, espelho meu”

  1. Aninha Setembro, 17, 2009 às 5:38 pm #

    Nati, você descreveu super bem, saí mesmo de lá me sentindo um tanto perdia e confusa! E a nossa discussão no restaurante então, a gente devia ter gravado aquilo!!
    Bjos

    • Natália Albertoni Setembro, 17, 2009 às 7:00 pm #

      Com certeza! Valeu pela participação no blog Aninha.

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