Arquivo | Novembro, 2009

Arte pop com cara de quadrinhos

30 Nov

por Natália Albertoni

As imagens de Christina Ung lembram os traços das histórias em quadrinhos e são carregadas de influências da cultura pop, vintage prints, pôsters e street art. Traduzem o universo adulto com temas relacionados a estilo de vida, moda, e formas de expressão.

Christina nasceu em Bangkok, na Tailândia. Quando tinha apenas 3 anos, mudou-se para o Canadá. Em 2007, se formou em Ilustração na Sheridan College e desde então, assinou em vários editoriais de publicações famosas como Playboy e Wired.






Para tocar ao coração

19 Nov

Swing me higher (imagem: Flickr_mathiole)

por Natália Albertoni

Ando melancólica e contente esses últimos dias. Parece contraditório, mas é tudo consequência da minha mente buliçosa que entrou forçosamente em pane ao constatar que a vida realmente é frágil. Delicada e indefesa como uma miniatura de cristal que descansa em um cruzamento da Avenida Paulista em horário de pico.

Estou cansada dos clichês que incentivam as pessoas a viverem “como se não houvesse amanhã”, e ao mesmo tempo não consigo me livrar deles. Afinal, depois de tudo, não posso ser a mesma.

Tentarei não insistir nisso. Mas por enquanto, sugiro que tente enxergar a beleza de um abraço de partida, do vento refrescante a sacolejar uma árvore folhuda, do balançar divertido de uma criança num parquinho. Vive com força, sem preguiça. E toque o coração de quem realmente importa. Só assim vai valer à pena.

Saber Viver
(Cora Coralina)

Não sei… Se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:

Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura… Enquanto durar

Cinzas e flores

18 Nov

(imagem: Flickr)

por Natália Albertoni

“É estranho. Os bons morrem jovens. Assim parece ser quando
me lembro de você que acabou indo embora cedo demais.” (Renato Russo)

Seu último cigarro foi aceso em uma sexta-feira 13 em que os raios de sol aqueciam até a mais escura sombra. Enquanto o farelo cinzento fazia a curva natural a caminho de esgotar a pequena brasa, as pessoas se amontoavam a sua volta, o espiavam com o auxílio da ponta dos pés e enchiam os olhos d’água em busca de um pouquinho de presença.

(…)

Vagaroso, arrastava as sandálias de couro pelos corredores com a mesma tranqüilidade de uma canção saudosa. Balançava a cabeça meio sem jeito, meio com charme, para ajeitar os finos e compridos fios de cabelo que insistiam em perder cor.

Sempre de calça jeans, disfarçava a regata neutra com uma camisa colorida, normalmente xadrez. Os colares envolvidos em seu pescoço e o pêndulo de pena suspenso por uma de suas orelhas reforçavam um estilo hippie, tanto ultrapassado quanto encantador.

Recostado na porta, aguardava o atraso por alguns instantes. Ainda baforando o hálito seco e amargo consequente do último trago de tabaco, beijava carinhosamente a testa de alguns que pouco a pouco adentravam a sala e seu mundo para lá viajarem durante cerca de 45 minutos.

Na companhia de palavras e expressões curiosas, transmitia um medo bom. Um temor instigante, intencional, com propósito. Só agora faz tanto sentido. Cauteloso, observava os questionamentos sem interferir nas conclusões subjetivas.  E segurando o queixo com a ponta dos dedos, analisava todos com um sorriso leve, enigmático, às vezes irônico.

Deve estar a fazer isso agora, tranqüilo, com os óculos em repouso no topo da sua cabeça como uma tiara. Ainda misterioso, deixa inquietação e medo no ar para sugerir alguma reflexão aos que tiveram a sorte de conhecê-lo.

O cigarro enfim apagou-se. Sobraram as cinzas, as flores e a saudade.

***

Desde cedo aprendemos que a nossa única certeza na vida, é a morte. Mas não aprendemos a continuar depois dela. Desejo força aos que ficaram, para que possam seguir em frente. Equilíbrio aos que perderam o chão. Pêsames apenas aos que nunca terão chance de passar sequer alguns minutos ao seu lado.

Gosto de balinha que estala na boca

11 Nov

por Natália Albertoni

Para quem precisa de um empurrãozinho para sorrir em tempos de escuridão.

Por que você a ama?

10 Nov

Desabafo

9 Nov
borboletas menino

Unlimited thought (imagem: Flickr_mathiole)

por Natália Albertoni

Olhe quem está ao seu lado. Declare seus sentimentos para quem ama  sem medo de parecer idiota. Aprenda mais sobre seus pais. Deite na grama e sinta o cheiro úmido da terra molhada. Perca tempo a sorrir e fale sobre nada com quem você gosta, mesmo que exija muito esforço da sua parte.

Suspire com mais frequência. Abra a cortina e lembre que o sol brilha do lado de fora, nem todas as segundas-feiras são cinzentas. Pule na piscina de mãos dadas com seus amigos. Cuide de seu jardim para as borboletas colorirem seus dias.

Abrace muito forte e beije com sinceridade quem te faz feliz. Chore o necessário, mas encontre equilibrio. Lembre sempre de cuidar das suas amizades, mesmo que elas estejam capengas. A vida é muito curta para se perder tempo irritado o tempo todo. Devemos ser amigos e não inimigos.

Sofrimento egoísta

8 Nov
lágrima

Tear in Rain (imagem: Flickr_zik " Tây)

por Natália Albertoni

Ivo Zanatto Miranda, 59, é vítima do caos, da violência desmedida, da falta de humanidade reinante no fim do mundo em que vivemos. Também é pai de uma pessoa distante, mas querida.

Não consigo imaginar a dor, a desesperança, o ódio, o tremor nas pernas, a falta de ar e presença que esta pessoa está sentindo. Não consigo pensar numa saída para extravasar meus pêsames e minha vontade de abraçá-lo o tempo necessário para quem sabe dividir os sentimentos que estão consumindo sua alma e embaralhando seus pensamentos. Não consigo acreditar.

A indignação lateja forte na minha cabeça. Ainda mais quando me dou conta que essa realidade grotesca nos domina há tempos, no entanto só me tocou na pele agora. Quantas pessoas perderam os pais, os filhos, os amigos em circunstâncias semelhantes, mas eu e você apenas trocamos o noticiário pelo seriado favorito ou viramos a página do jornal?

Essa indiferença disfarçada de conformismo não torna-nos cúmplices da crueldade, mas não alivia nossa responsabilidade como cidadãos. O que mais é necessário acontecer para suceder um despertar geral?

É  necessário acreditar em possibilidades de salvação, mas a primeira mudança acontece dentro de nós. O que você vai fazer?

***

Ivo Zanatto Miranda, de 59 anos, morreu na noite de quinta-feira (5). O empresário foi morto depois de ser baleado por uma quadrilha que assaltou dois carros-fortes na Rodovia Anhanguera, em Araras, a 168 km da capital.