Para ouvir o vento

20 Jan

por Natália Albertoni

Recostadas no sofá cândido e apoiadas em devaneios, não chegaram a conclusão alguma. Assistiram a chuva cair insistente, a brisa se esvair através da janela, a cerveja e o show dos barbudos encantadores acabar.

Com olhos fixos nos brilhos e cores, coração embalado pelo ritmo das canções, mente desafiadora, pensavam em cada conjunto de versos. Podiam sintetizar um tratado sobre a vida. Um diálogo com o tempo. Uma convite inconsciente para assumir decisões.

Tentavam adivinhar o acompanhamento e a melodia, enquanto o baixo e a guitarra soavam estridentes nas caixas de som para invadir o apartamento minuciosamente decorado e penetrar suas almas incompletas, sobreviventes de quem sabe três outras vidas.

Entre conjecturas sobre um futuro imprevisível, lamentaram a falta de tempo para esses momentos, marcaram encontros eternos, discutiram posturas, falaram sobre cicatrizes propositais e intocáveis.

Um vento caminhou sem pressa pelos seus braços e indicou a hora de partir. Comeram pão, requeijão, queijo com casca rosa e se desepediram com um abraço sincero e a promessa de se reencontrarem para sorrir em paz.

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Uma resposta to “Para ouvir o vento”

  1. Maria Fernanda Janeiro, 26, 2010 às 2:08 pm #

    Bela descrição do momento!

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