#5 Moleskine dos outros

13 Jul

por Natália Albertoni

José Azevedo só tem saudades do que já viveu. Formado em Comunicação Social, Publicidade e Propaganda pela Universidade Federal do Espírito Santo, sente falta dos tempos da faculdade, mas seu lance é daqui para frente.

Natural de Vitória (ES), já esteve de passagem na terra da garoa, mas fincou raízes bem longe daqui. De Bremen, onde mora com a esposa alemã, o diretor de arte e ilustrador ainda assina alguns trabalhos para o Brasil, mas no momento quer estudar.

Começou a desenhar nos lendários caderninhos usados por Picasso e Hemingway em 2009, quando andava desiludido com a profissão. Sua inspiração vem de filmes, livros, das ruas, da família, de rodas de boteco com os amigos.

Até hoje já preencheu cinco Moleskines com seus traços coloridos. Mas acha pouco. Seus Sketchbooks são seu vício e sua libertação. Para entender um pouquinho mais sobre quem está por trás dessas peças que você vê aqui, segue a entrevista que fiz com José por e-mail.

O nome que aparece no seu RG:  José Alves de Azevedo Neto.

Apelido/nome artístico: José Azevedo.

De onde é? Vitória, Espírito Santo.

Para onde vai? Na verdade já fui. Moro em Bremen, norte da Alemanha.

Você já morou em São Paulo. O que mais gosta e sente falta na cidade? São Paulo é uma cidade fantástica. Gosto de muitas coisas. Mas o que eu mais sinto falta, por incrível que pareça, é do McDonald’s 24h na Henrique Schaumann com Rebouças.

 Você trabalhou com clientes grandes. Qual foi o maior projeto que você comandou profissionalmente? E o que abriu mais portas? E aquele que você mais gostou? A peça “Sabores do Mundo” para a Häagen-Dazs consistia em criar jogos americanos para uma promoção que eles fizeram. Esse job estava parado na agência havia um ano. Foi e voltou do cliente inúmeras vezes. E eles aprovaram a minha idéia e ilustra de primeira. Considero um dos maiores [trabalhos] devido à dificuldade. Foi o primeiro de ilustração pelo qual eu recebi alguma grana.

Trabalhar para a Super Interessante foi muito gratificante e me abriu muitas portas. Senti orgulho ao ver um trabalho meu em uma revista tão legal e conhecida. Mas os que mais gosto são meus Sketchbooks. Eles estão alheios a qualquer julgamento. Eu faço o que quero, como quero, sem ninguém dar palpite. É libertador.

Como você explicaria o seu trabalho para a sua mãe? Minha mãe sabe bem o que faço. Ela me viu desenhar desde criança e ouviu muito minhas lamúrias de trabalho, de chefe, de cliente…

O que veio antes: a arte ou o trabalho? O trabalho. Ele me deu condições para gostar mais de arte.

Lembra quando comprou seu primeiro Moleskine? Como foi? Sim. Eu tinha voltado a Vitória, depois de quase dois anos em São Paulo. Estava buscando outros caminhos, já que estava um pouco chateado com a publicidade. Entrei no Mercado Livre e comprei um pacotinho com três Moleskines. Daí comecei a desenhar frenéticamente. Virou um vício (bom) mesmo. Eu já desenhava muito, mas perdia meus desenhos porque usava folhas avulsas. Então foi meio que uma descoberta.

O que são suas peças? Algo que tenho paixão por fazer.

Tem um preferido entre seus Sketchbooks ? Tenho alguns desenhos preferidos: o I Love Beer e o Bota na Conta do Papa, por exemplo.

Você já foi premiado por seu trabalho. Qual prêmio representa mais para você e por quê? Receber prêmios é muito bom. Eu seria hipócrita se dissesse o contrário. Mas, para ser sincero, o que mais me agrada é ver a repercussão sobre meus desenhos nos Sketchbooks. Porque é algo que mostra quem eu sou, não só profissionalmente, mas pessoalmente também. (ô loko, mêu.)

Qual é o seu lugar preferido para criar? Pode ser em qualquer lugar sem muito barulho, um bloquinho de papel e minha lapiseira.

O que você mais gosta de fazer quando precisa fazer nada? Tem algum hobby? Adoro cozinhar. Sou fã do Gordon Ramsay (chef inglês), vi todos os shows dele.

Qual sua maior preciosidade? Acho que o que aprendi até aqui. Minha mãe e minha sogra sempre falam: podem tirar tudo de você (materialmente falando), menos o seu conhecimento.

Tem saudades de alguma coisa que você não viveu? Tenho saudade de coisas que vivi. Da UFES, da minha banda, das Copas Caroço na casa do Mendonça e do Pegoretti… Mas não tenho muito essa de momento nostalgia. Foi legal, mas o lance é daqui pra frente.

Para ver mais, clique aqui.

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