#10 Moleskine dos outros

19 Ago

por Natália Albertoni

Ela vive mudando. O que coloca no prato, quem envolve nos braços, o estilo das roupas, o tamanho e a cor dos cabelos. Quase uma personificação da Metamorfose Ambulante do Raul, Verônica Gabriela gosta das variantes que se permite ser.

Aos (quase) 25 anos, a irmã de Leonardo Marcelo, filha da Magdalena Rita e do Bruno Claudio, não faz parte de novela mexicana, tampouco tem sonho de Cinderela moderna. Aliás, nem faz muitas previsões. Esta mais segura, meditativa e pé no chão. Dos questionamentos que aprendeu a fazer a si própria, percebeu que o lance é se perguntar sempre e cada vez mais.

Seu moleskine é herança dos tempos da faculdade de Moda cursada na Santa Marcelina. Lá, nada de velhas opiniões formadas sobre tudo. Mas pensamentos “devoções, intimidades e pornografias”. Abaixo ela abre suas páginas para você. Está preparado?

Como explicaria o seu trabalho para sua mãe? Mãe, eu trabalho com comunicação de Moda pela Internet, pelas redes sociais e lojas online. Ponto.

Você já morou no Paraguai. Do que sente falta de lá? Sinto falta das baladas com meus primos e dos domingos de ressaca nos almoços de família. Da paparicação dos meus tios. Da vista do meu quarto para o jardim, das comidas típicas, do verão matador com direito a siestas. E, frequentemente, sinto falta de tudo que é mais barato, tipo estojo de 32 cores da Staedler por 52 mil guaranies (16 reais).

Ainda fala espanhol em casa? Quando eu brigo com a minha mãe ou quando eu quero que ela entenda de uma vez por todas o que eu estou dizendo.

Qual é o seu lugar preferido no mundo que você conhece? The poor, but sexy Berlin.

Quando você comprou seu primeiro Moleskine? Lembra por quê? Comprei no primeiro ano de faculdade, incentivo dos professores pra ser nosso caderno “do imaginário”.

O que guarda neles? Tudo que dê pra colocar dentro de um caderno, flores inclusive.

No moleskine, o que são seus desenhos? E suas frases soltas? Plagiando Xico Sá, meu moleskine tem “catecismo de devoções, intimidades e pornografias”. Os desenhos normalmente são de observação, mas também tem rabiscos sem nexo. As frases, as significativas, são as que eu trato como lembretes pra vida. Escrevo em letras maiores. Minha memória é péssima.

Abriria seu caderninho para qualquer pessoa? Sim, se ela estiver preparada pra ver.

Alguma ideia impressa já saiu do papel? Está saindo do papel! A minha loja-projeto de vida “We Are Indigo”.

Tem saudades de algo que você não viveu? Não. Tenho como meta cumprir todos meus sonhos, se eu colocar eles na caixinha “saudade” vai ser como assumir que fracassei.

O que influencia o seu estilo de vida? Meus amigos e amores.

E seu estilo, qual é? Gosto de liberdade, de não me prender ao “eu sou”. O que é mutável me agrada e sem isso eu simplesmente desapareço.

Como é trabalhar com moda no Brasil? Por horas é muito interessante, por horas é extremamente brochante. Requer muito equilíbrio pra não cair na ladainha e lábia de quem acha que dominou o mundo.

Se sua vida fosse um filme como seria a primeira cena?

Li um texto seu sobre a “crise dos 25”. Algumas das suas previsões para esta fase da vida não se concretizaram. Arriscaria uma nova lista para quando chegar aos 30? Ainda bem que não se concretizaram! Eram metas feitas numa base errada, estou muito feliz de chegar aos 25 com a cabeça que tenho hoje. A meta atual é ser livre, enxergar a vida com mais clareza e lucidez. E que isso dure até o dia em que eu morrer!

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