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#13 Moleskine dos outros

13 Out

por Bárbara Bom Angelo

Ela pegou a coragem, colocou na bolsa e se mandou pra Nova York. De lá, quer tirar tudo o que for possível, mas no momento se concentra em um curso de cinema que me deixa morrendo de inveja. Eu só a encontrei para valer, cara a cara/olho no olho, uma vez. Mas foi suficiente. Encontrei nos seus olhos gigantes uma comparsa de gosto, seja por música, livros, tatuagens…

E os moleskines da Martina Sonksen talvez sejam os mais sortudos desta seção até agora. Vida boa de um caderno que recebe todos os dias impressões de uma cidade como NY, resenhas de shows fantásticos que acontecem a qualquer momento, exposições que nem vamos sonhar em ver etc etc etc. Enfim, leia a conversa abaixo e abrace sua dor de cotovelo.

Onde mora o corpo?
O corpo mora atualmente em Nova York. Onde ele anda mais feliz, leve e com algumas dores na costas, já que aqui ele carrega todas as sacolas e bolsas pesadas pra todo canto. Às vezes também carrega colchão, mala, mesa, cadeira e mais móveis durante as várias mudanças de apartamento que já rolaram.

Onde mora o coração?
O coração mora divido. Mora metade em São Paulo, com minha família, amigos e meu cachorro (que eu morro de saudade) e a outra metade mora aqui em NY. Desde que cheguei pra morar aqui no primeiro dia, eu já sabia que meu coração jamais iria ser de uma cidade só.

O que tem nos seus moleskines?
Meus molekines são divididos por assuntos, mas não sou tão organizada quanto possa parecer. Além de sentir que penso melhor ao escrever e a minha memória é muito ruim, eu anoto tudo o que vejo, descubro e fico sabendo.

Tenho moleskines de estudos, aulas e cursos. Tenho outro menorzinho que fica na bolsa sempre, que é pra anotar coisas que vejo em exposições aqui em NY, coisas que vejo na cidade, pensamentos momentâneos, músicas e bandas que eu descubro o nome, ou seja, tudo aquilo que acontece enquanto eu tô na rua. Tenho outro só dedicado aos meus sentimentos e desabafos, tipo um diário mesmo. E um outro essencial com tudo o que preciso fazer, contas pra pagar etc.

Da onde veio o nome Martina?
Putz, minha família é uma bagunça. É alemão com holandês com italiano. Meu nome com certeza tem alguma origem gringa, que eu deveria saber qual é, mas não sei. Meus pais escolheram porque achavam um nome forte.

Que história foi essa de largar as coisas no Brasil e se mudar para Nova York?
Pois é… NY foi uma cidade que eu sempre quis morar. E eu tava louca pra estudar cinema/documentário. Mas tudo aconteceu do jeito certo. No tempo que tinha que acontecer. Eu juntei dinheiro, pesquisei escolas e fiz processos de bolsas que me interessavam e quando tudo parecia possível, resolvi fazer as malas e vir.

É tudo o que você esperava?
Já que só tinha vindo pra NY antes como turista, eu não achava que a cidade era tão dura assim. NY é uma cidade intensa. É um cidade que você sente todos os sentimentos possíveis ao mesmo tempo. É uma cidade que endurece as pessoas. E ao mesmo tempo ela está me ensinando o que é necessário ser valorizado na vida, ela tem me mostrado as coisas que eu não tolero.

NY é uma cidade onde você conhece muita gente que tá na mesma situação que você. É uma cidade jovem, é uma cidade para as pessoas trocarem ideias, pensamentos, projetos e produzirem. Afinal a cidade é tão cheia de estímulos e de acontecimentos inspiradores que acaba por desafiar as pessoas a entender a vida de uma perspectiva diferente. É como uma amiga minha diz: “parece que Nova York exige que a gente seja para ela o que nunca fomos para nenhuma outra cidade.”

Adoro ver suas fotos no Instagr.am. Dá uma inveja branca de ver os shows e exposições que você tem ido. Quais foram os melhores programas até agora?
Vivenciei algumas programas incríveis em NYC, como: The Strokes no Madison Square Garden, Paul [McCartney] no Yankees Stadium, exposição do Alexander McQueen no MET, ver a Cherry Blossom Season no Brooklyn Botanic Garden, show no Central Park de graça, a peça Sleep No More no Chelsea, conseguir ingresso pra assistir Shakespeare in the Park no Central Park, Central Park no verão etc. Mas mesmo assim eu ainda acho que o melhor programa em NY é viver a cidade, andar na rua, prestar atenção nas pessoas no metrô, curtir os museus e as exposições, todas as produções artísticas e os shows. A cada esquina existe um lojinha interessante, um restaurante pequeno, uma nova galeria de arte, uma nova exposição, um novo show e por aí vai. Dá até uma sensação de que você tá perdendo algo incrível que tá rolando a cada segundo.

Sei que você está trabalhando em um projeto. Dá para contar o que é?
Como uma boa geminiana, eu tô trabalhando em vários projetos ao mesmo tempo. Fiz várias coisas bacanas durante esse ano, como direção de arte pra alguns curtas, filmei com a galera em lugares que eu jamais achei que iria e conheci muita gente interessante. E agora tô trabalhando na minha tese da escola, um curta sobre uma bailarina brasileira que mora aqui em NYC. E também produzi um curta sobre caras que cuidam de pombas em Bushwick, no Brooklyn. O trailer pode ser visto aqui.

Onde foi parar a pessoa que você queria ser?
O que eu quero ser está sempre em movimento, mudando. Acho os desafios na vida vão fazendo a gente se mexer, sair do lugar comum, tomar decisões inesperadas. Não tenho medo de mudanças, tenho medo de ficar empacada, fazendo a mesma coisa todos os dias da minha vida. Óbvio que eu procuro estabilidade, mas acho que é sempre mais válido tentar e descobrir um novo caminho ao invés de ver a vida passar e não desafiá-la.

Qual o melhor gosto da infância?
Não sei se a gente romantiza muito a infância, mas eu acho que é mesmo a melhor fase da vida. E temos que fazer um esforço para manter um pouco de infância para sempre dentro da gente, se não a gente para de ver beleza nas coisas da vida.

O melhor gosto da infância é, literalmente, de areia. Lembro ficar horas no mar até tomar altos caldos e comer muita areia.

A pergunta que não quer calar, você volta?
Ai, ai. Eu não quero voltar não. Mas eu também não sei o que vai acontecer nos próximos meses.

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#12 Moleskines dos outros

1 Set

por Natália Albertoni

Quando pequeno Paulo Leierer sonhava em ser presidente do Brasil. A vida tomou rumo diferente e, ao invés de um país, ele agora comanda câmeras e seu pequeno negócio. Ao lado de quatro amigos criou a produtora Toca dos Filmes, uma ficada de carnaval que terminou em namoro, na sua própria definição.

Se precisasse sintetizar em uma palavra o que significa fazer cinema por aqui, escolheria “frustrante”. Apesar do pessimismo em torno das políticas cinematográficas e das dificuldades herdadas da profissão, vai muito bem, obrigada. Dirigiu filmes de campanhas publicitárias como a do patrocínio da Topper para o Rugby, videoclipes, pilotos para TV, além de dois curtas, sendo que um deles, O Dia M, foi premiado no Hollywood Brazilan Film Festival.

No seu Moleskine, esconde apenas textos, ideias de roteiros, cenas ou diálogos. Não mostraria suas palavras soltas para qualquer um. Mas com muito bom humor, ele topou abrir uma exceção, suas páginas, a cabeça. Dá uma olhada.

Como explicaria o seu trabalho para sua mãe? Putz, já tentei várias vezes. Dirigir um filme é semelhante a ser um técnico de futebol. Você escala o time (forma a equipe), analisa o jogo (o roteiro), monta uma tática (pensa na direção da câmera e dos atores), administra pessoas (egos) e negocia com o cartola (o produtor). Você não entra em campo, mas explica como e porque o time tem que jogar daquela maneira e o filme ser rodado daquele jeito. Precisa ter tudo sob controle e, ao mesmo tempo prever o imprevisto, estar aberto para ele. No final, se o resultado for positivo, o time jogou bem. Se for negativo, o técnico vai pro olho da rua. Acho que essa explicação não daria tão certo porque minha mãe nada entende de futebol, mas o espírito é esse.

Qual é o seu lugar preferido no mundo que você conhece? São dois. O meu quarto é o segundo lugar onde me sinto melhor, perdendo apenas para o set de filmagem.

Que história é essa de cover do Tim Maia? Você tem uma banda? Não! Isso é apenas uma piada porque sou o anti-Tim Maia. Magro, branquelo, desafinado e com o gingado do Clint Eastwood.

Quando você comprou seu primeiro Moleskine? Ganhei de aniversário. Nunca comprei porque achava muito caro prum “caderninho da moda”. Mas hoje em dia eles se tornaram necessários.

O que tem nos seus caderninhos? Ideias de roteiros, cenas ou diálogos. Só textos. Na maioria das vezes tento escrever uma ordem de cenas. Uma ideia surge de forma muito caótica e eu uso o Moleskine para tentar esquematizar, desmembrar e questioná-la.

Você é sócio de uma produtora de filmes. Como isso aconteceu? Foi meio por acidente. A gente abriu a produtora basicamente para emitir as notas fiscais dos freelas que estávamos fazendo. A coisa foi crescendo, fomos fazendo alguns trabalhos para alguns clientes, até oficializarmos. Foi uma ficada acidental e despretensiosa de carnaval que terminou em namoro.

Como é trabalhar com cinema no Brasil? Em uma palavra: frustrante. A política vence as ideias e, para quem quer trabalhar com a segunda, é um golpe duro. Por isso que tenho tentado abrir o leque um pouco mais, e trabalhar também com séries de TV e filmes publicitários.

Qual é o seu filme preferido? Paris, Texas [Wim Wenders].

Qual diretor o inspira? O meu negócio hoje é o humor. Gosto muito de como o Judd Apatow  traz assuntos relevantes e universais de forma engraçada, do cinismo dos Irmãos Coen, do nonsense do Monty Python, da neurose do Woody Allen, da mesquinhez do Larry David e do desconforto do Ricky Gervais. Tenho achado os filmes muito bunda mole. Hoje tenho muito mais tesão em séries do que em filmes.Tenho gostado muito de Seinfeld, The Office, The West Wing, Californication, Breaking Bad, House, Mad Men e Studio 60.

Qual é a trilha sonora da sua vida? Ultimamente tenho ouvido Bon Iver, Neil Young, Bob Dylan, Dinosaur Jr., Thurston Moore, Bill Callahan e Wilco, além dos clássicos Beatles, Stones, Velvet Underground, Janis Joplin. Vario, mas não sou eclético.

Qual é o projeto mais ambicioso impresso no seu moleskine? Já saiu do papel? Já sim. Rodamos três pilotos de série de TV que saíram dele! Um deu em nada, outro foi negociado e um está em finalização.

Você já fez dois curtas, entre eles O Dia M, que foi exibido em festivais internacionais, incluindo o Hollywood Brazilian Film Festival. Imaginava isso acontecendo na sua vida? A resposta é bem pretensiosa, mas sim. Quando você está fazendo um filme, quer que ele seja exibido no maior número de lugares possíveis. Evidente que a cada festival que o filme entrava era uma surpresa mais do que bem-vinda, mas gostaria que tivesse entrado em mais festivais ainda. Agora, se você me pergunta se eu imaginava isso quando era criança, eu não imaginava. Eu queria é ser presidente do Brasil.

Pretende fazer um longa? Sim, mas não agora. Agora eu não tenho dinheiro, contatos, nome, tempo e talento. Terei que esperar mais uma ou duas copas do mundo.

Se sua vida fosse um filme como seria a primeira cena? Se eu tivesse me tornado realmente presidente, poderia ser uma plano-sequência rebuscado, como no começo de O Jogador [Robert Altman], A Marca da Maldade [Orson Welles], Boogie Nights [Paul Anderson] mas como minha vida é ordinária demais pra isso, pode ser um começo de filme tipo o Anniel Hall [Woody Allen], que resume nossa existência em duas piadas.

#11 Moleskine dos outros

24 Ago

 

por Bárbara Bom Angelo

Otávio Suriani tem 21 anos e está no terceiro ano de Cinema na FAAP. É, ele faz cinema, diria Chico Buarque. E ele faz também anotações frenéticas, desenhos charmosos e rabiscos soltos em seus moleskines.

Abaixo você pode conhecer um pouco mais dele e esquecer de que é tão jovem assim. As respostas tem um quê de alma antiga.

Onde mora o corpo? Planeta Terra, Brasil, São Paulo. Se não conhecer é só procurar no Google Earth que lá é fácil de achar. Aí dá um zoom-in em algum carro parado no trânsito. Se não for eu, deve ser alguém parecido.

Onde mora o coração? Dentro do corpo descrito acima.

O que tem nos seus moleskines? Desenhos, escritos, anotações…um pouco de tudo.

Fazer cinema no Brasil é… Foda. É como apertar um parafuso com um martelo.

Todos têm algum filme que gostam secretamente, aquele que não deveríamos nem assistir. Qual a sua paixão trash? Quando o filme é ruim, não dá nem pra gostar… Acho que aqueles que escondem o verdadeiro gosto, em qualquer coisa, querem criar um imagem de si mesmo compatível com alguma construção ideológico-cultural na qual não se encaixam, mas querem fazer parte. Uma espécie mais radical de ser-para-o-outro. Mas, pra não deixar a pergunta sem resposta, já que estamos falando em trash, Videodrome do Cronenberg é bem trash, mas é ótimo. Os filmes da Boca do Lixo também são trash e sensacionais, assim como todo cinema marginal brasileiro. E, afinal, quem não dá umas risadas com uma bela pornochanchada…

E o melhor de todos? Terra em Transe, do Glauber Rocha.

Qual a trilha sonora da sua vida atual? Jazz e barulho de obras.

Algum projeto em andamento? Uns filmes, uns roteiros… O de sempre.

Onde foi a parar a pessoa que você queria ser? Ainda nem sei a pessoa que eu quero ser.

Qual o melhor gosto da infância? Camarão à provençal, milho de praia, água de coco.

#10 Moleskine dos outros

19 Ago

por Natália Albertoni

Ela vive mudando. O que coloca no prato, quem envolve nos braços, o estilo das roupas, o tamanho e a cor dos cabelos. Quase uma personificação da Metamorfose Ambulante do Raul, Verônica Gabriela gosta das variantes que se permite ser.

Aos (quase) 25 anos, a irmã de Leonardo Marcelo, filha da Magdalena Rita e do Bruno Claudio, não faz parte de novela mexicana, tampouco tem sonho de Cinderela moderna. Aliás, nem faz muitas previsões. Esta mais segura, meditativa e pé no chão. Dos questionamentos que aprendeu a fazer a si própria, percebeu que o lance é se perguntar sempre e cada vez mais.

Seu moleskine é herança dos tempos da faculdade de Moda cursada na Santa Marcelina. Lá, nada de velhas opiniões formadas sobre tudo. Mas pensamentos “devoções, intimidades e pornografias”. Abaixo ela abre suas páginas para você. Está preparado?

Como explicaria o seu trabalho para sua mãe? Mãe, eu trabalho com comunicação de Moda pela Internet, pelas redes sociais e lojas online. Ponto.

Você já morou no Paraguai. Do que sente falta de lá? Sinto falta das baladas com meus primos e dos domingos de ressaca nos almoços de família. Da paparicação dos meus tios. Da vista do meu quarto para o jardim, das comidas típicas, do verão matador com direito a siestas. E, frequentemente, sinto falta de tudo que é mais barato, tipo estojo de 32 cores da Staedler por 52 mil guaranies (16 reais).

Ainda fala espanhol em casa? Quando eu brigo com a minha mãe ou quando eu quero que ela entenda de uma vez por todas o que eu estou dizendo.

Qual é o seu lugar preferido no mundo que você conhece? The poor, but sexy Berlin.

Quando você comprou seu primeiro Moleskine? Lembra por quê? Comprei no primeiro ano de faculdade, incentivo dos professores pra ser nosso caderno “do imaginário”.

O que guarda neles? Tudo que dê pra colocar dentro de um caderno, flores inclusive.

No moleskine, o que são seus desenhos? E suas frases soltas? Plagiando Xico Sá, meu moleskine tem “catecismo de devoções, intimidades e pornografias”. Os desenhos normalmente são de observação, mas também tem rabiscos sem nexo. As frases, as significativas, são as que eu trato como lembretes pra vida. Escrevo em letras maiores. Minha memória é péssima.

Abriria seu caderninho para qualquer pessoa? Sim, se ela estiver preparada pra ver.

Alguma ideia impressa já saiu do papel? Está saindo do papel! A minha loja-projeto de vida “We Are Indigo”.

Tem saudades de algo que você não viveu? Não. Tenho como meta cumprir todos meus sonhos, se eu colocar eles na caixinha “saudade” vai ser como assumir que fracassei.

O que influencia o seu estilo de vida? Meus amigos e amores.

E seu estilo, qual é? Gosto de liberdade, de não me prender ao “eu sou”. O que é mutável me agrada e sem isso eu simplesmente desapareço.

Como é trabalhar com moda no Brasil? Por horas é muito interessante, por horas é extremamente brochante. Requer muito equilíbrio pra não cair na ladainha e lábia de quem acha que dominou o mundo.

Se sua vida fosse um filme como seria a primeira cena?

Li um texto seu sobre a “crise dos 25”. Algumas das suas previsões para esta fase da vida não se concretizaram. Arriscaria uma nova lista para quando chegar aos 30? Ainda bem que não se concretizaram! Eram metas feitas numa base errada, estou muito feliz de chegar aos 25 com a cabeça que tenho hoje. A meta atual é ser livre, enxergar a vida com mais clareza e lucidez. E que isso dure até o dia em que eu morrer!

#9 Moleskine dos outros

10 Ago

 

por Bárbara Bom Angelo

O rosto do Dida Louvise tem ossos angulosos que dão a ideia de dureza, de seriedade, até mesmo de braveza. A altura também ajuda a compor a imagem. Ele é daqueles que você tem que ficar na ponta do pé para dar oi.

Só que tudo não passa de impressão. O coração é mole mole, igual manteiga fora da geladeira. É um amigo querido, uma pessoa incapaz de qualquer mal. E é mais um planner para a coleção e mais um que carrega os moleskines para cima e para baixo – em reuniões chatas, em viagens pelo mundo, em qualquer lugar onde haja um tempinho para deixar os pensamentos fugirem para o papel.

Abaixo você confere o que o Diogenes, ops, o Dida, guarda em seus caderninhos

Onde mora o corpo? Na nossa mente. Nosso corpo tende a ser um reflexo do nosso estado mental. Pode parecer estranho, mas é a cabeça quem dá o tom, pode reparar… Na doença, na saúde, na parte estética. Ou vai dizer que vc encontra um monte de yogis gordinhos por aí? 😉

Onde mora o coração? Essa é difícil, não é à toa que eu tive que respondê-la por último. O meu hoje não mora em lugar nenhum, mas tem dado umas boas voltas com a razão… Se faz bem eu não sei. Espero que ele aprenda alguma coisa, mas também espero que não dure muito tempo.

O que tem nos seus moleskines? Anotações de reuniões, pensamentos (sobre o que for), rabiscos e formas tribais desenhadas em reuniões chatas. Eles também já tiveram algumas anotações de sonhos, letras de músicas, lugares para visitar em viagens e até versos soltos.

Chamar Diogenes me fez… um monte de coisas. Acho que me tornou mais modesto pra muita coisa e me ajudou a criar um senso de empatia maior, sabe? Aquela história de “não faça com os outros o que não gostaria que fizessem com você”. E como a primeira chamada na nova escola me ensinou nesse sentido, todo mundo te olhando com aquela cara e você lá…E olha que eu mudei algumas vezes de colégio.

Mas chamar Diogenes também me fez valorizar o significado do meu nome com o passar do tempo – joga no google, legal bagarai 🙂 –  e a história dele na minha família (meu avô e meu pai também se chamam Diogenes). Ah, também tem o lado legal da história: não me faltam apelidos.

A vontade mais forte do momento é… escutar o novo CD do Red Hot Chili Peppers. Do início ao fim. Non stop. Uma música atrás da outra.

Correr, correr, correr até chegar em qual lugar? Hoje eu não sei, mas acho que isso é o mais legal da história toda. Só sei que quando corro eu fico mais tranquilo, penso em tudo, não penso em nada, rola uma paz…
Tem uma coisa meio “the journey is the destination“. E eu vou correndo. Simples assim.

Eu, você e o medo de avião. Dá pra superar? O que te acalma quando mais nada depende de vc? Eu espero que dê, senão vai ser osso. Tem muitos lugares que ainda quero conhecer. Agora, o que me acalma? Rezo, mentalizo, chamo orixás, guias, o que for, mas isso não quer dizer que eu fique muito mais calmo, não.

Onde foi parar a pessoa que você queria ser?
Lá atrás.
Amanhã melhor que ontem e hoje. Sempre.
E assim a vida segue.

Qual o melhor gosto da infância?
Amendoim doce torrado na companhia do meu avô, saindo de um metrô no Rio de Janeiro.

#8 Moleskine dos outros

3 Ago

por Natália Albertoni

Vira e mexe, Cleiton Barcelos aparece por aí com uma boina diferente, um modelo de óculos escuros na medida, uma camisa cool. Mas é o próprio sorriso que ele veste como ninguém. Sua simpatia e delicadeza transparecem tanto na fala mansa, quanto na cobertura da “nega maluca” que ele traz para o pessoal do trabalho numa segunda-feira cinzenta.

O gaúcho de São Paulo quer conhecer o mundo. Primeiro Tel-Aviv se for possível. Não é à toa que recebe gringos de passagem na casa que divide com uma amiga no bairro de Pinheiros. Garante que a experiência da troca cultural vale à pena.

Desde pequeno, Ton já preenchia as páginas das agendas escolares com rabiscos coloridos, colagens e ideias. Durante a faculdade, sua mãe achava que ele brincava de desenhar, já que gastava muito em canetinhas, carvão, massinha de modelar e todo tipo de material.

Hoje, o designer gráfico usa moleskines, principalmente, para organizar seu trabalho. Mas entre tantos rascunhos e anotações,  guarda também sonhos, como o de abrir seu restaurante com tudo de mais legal que ele já viu por aí.

 

Nome: Cleiton Comoretto Barcelos

De onde é? Santa Maria, Rio Grande do Sul. Ahhhh, eu sou Gaúcho!!!! Mas moro em São Paulo. Sinto que, hoje, minha cidade é São Paulo, mas amo demais os pampas gaúchos.

Para onde vai? Para o Mundo! Quero viajar muito na vida ainda. Quero conhecer mais e mais o Brasil e o Mundo!

Como você explicaria o seu trabalho para a sua mãe? Sou Designer Gráfico. Durante a minha faculdade ela achava que eu ainda estava no prezinho, porque gastava muito lápis de cor, canetinha, tintas, carvão, papel, massinha de modelar, fotografia… Ela achava que só brincava de desenhar. Hoje ela entende melhor o que faço: revistas, convites, livros. As outras coisas que faço ela ainda não entende.

Onde e com quem você mora? Moro no bairro de Pinheiros com uma amiga, Ana, e até o fim do mês tenho um amigo belga conosco. Eu costumo receber gringos em casa. É uma grande experiência! Vale à pena!

O que mais gosta na cidade de São Paulo? A pluralidade. Tem tudo que imaginar aqui. E, ao mesmo tempo, moro num bairro tranquilo que parece cidade do interior, onde encontro todos meus amigos caminhando na rua, ou na fila do supermercado, ou no boteco.

Do que mais sente falta da sua cidade natal? Do frio no invernão. Gostaria de senti-lo por uma semana. E da família: mãe, irmão, avós…

Lembra quando comprou seu primeiro Moleskine? Na verdade meu primeiro Moleskine foi um presente de uma amiga, a Sabrina Barrios. Hoje ela é artista plástica em NY. Mas posso considerar que minhas agendas da escola já eram pequenos Moleskines, pois desenhava, colocava recortes, escrevia tudo queria nelas.

O que tem nos seus caderninhos hoje? Muitas anotações de reuniões, rafes de meus trabalhos, dicas…

Qual o projeto mais ambicioso que você já elaborou em suas folhas? Fiz muitas anotações de restaurantes, do que tinham de legal e de ruim, para ter referências do que é legal ou não para quando resolver abrir o meu 🙂

O que te motiva no trabalho? Os desafios, colegas de trabalho e a agência. Me sinto muito a vontade trabalhando na Ideal. Eu costumo criar a partir dos meus desafios que são propostos. Gosto de ter algo que me instigue.

O que você mais gosta de fazer quando precisa fazer nada? Passo muito tempo no computador quando não tenho nada para fazer. Mas meu hobby mesmo é cozinhar, passar um tempo com meus amigos e fazer exercícios ao ar livre. Pedalar, correr, e, logo, logo remar.

Qual sua maior preciosidade? Nossa! Complicada essa pergunta. Não sei em que sentido quer saber, mas vou falar as duas. Na minha vida, minhas preciosidades são as pessoas que amo: família, mãe, irmão, pai, avós, namorado, amigos. E se eu tenho uma grande preciosidade seria minha bondade. Sou e sempre serei bondoso com tudo e com todos. Não suportaria saber que alguém não gosta de mim.

Tem saudades de algo que você não viveu? Não. Eu acredito que tudo que fiz e vivi até hoje foi no seu momento certo. Vivi tudo que podia em cada época da minha vida.

7# Moleskine dos outros

27 Jul

por Bárbara Bom Angelo

Esta seção está sendo dominada por publicitários. Só que não posso dizer que a Bruna Rodriguez é simplesmente mais um deles. Ela é uma senhora colecionadora de moleskines. Tem de todos os tamanhos, formatos e propósitos. Um mais lindo do que o outro. E alguns são tão charmosos que ela mesma tem dó de usá-los e aí acabam servindo de decoração.

E não é só por cadernos que essa planner (dá-lhe planejamento das agências também) tem fixação. “Sou enlouquecida por papelaria, então tenho tudo, até uso estojo ainda. Tenho mais de 25 lapiseiras, grafites diferentes. Gosto de canetas específicas, sou chata”.

Esse arsenal todo é o que deixa as páginas da Bruna tão gostosas de se admirar. Aproveite.

Onde mora o corpo? Em algum lugar na mente. Já que é ela que o controla.

Onde mora o coração? Em pessoas. Às vezes mais em umas, às vezes em outras. Sempre em algumas.

Qual a história do seu primeiro moleskine? Sempre gostei de papéis. Minha mãe diz que desde pequena tinha medo de entrar comigo na papelaria, porque eu ia querer tudo. Gosto de cadernos, bloquinhos, agendas desde que me conheço por gente. Meu primeiro moleskine mesmo foi presente de um chefe, na volta de suas férias. Um chefe querido, acertou tanto no presente, que me fez viciar neles.

Com o quê você preenche as páginas? Compromissos. Responsabilidades. Planos. Metas. Sonhos. Imaginações. Invenções. Cada linha do papel tem o seu momento de ganhar vida.

Onde vão parar os cadernos que se acabam? Uns no fundinho do armário, outros na cabeça e no coração.

Um passarinho me disse que você é muito controladora. O que você não consegue controlar de jeito nenhum? Oi? Eu controladora? He! O que eu não consigo controlar? TUDO. Na verdade sei que não consigo controlar nada. Por que será que eu continuo tentando tanto controlar as coisas? Vou parar! Prometo!

Você fez uma tatuagem linda recentemente, a palavra “família” escrita com a sua própria letra. Quais são os próximos desenhos que vão ganhar espaço na pele? Na minha pele? Um capítulo não planejado na minha vida, e olha que isso é raro. Na dos outros? Gostei da ideia de fazer parte do processo de dar vida a coisas na pele dos outros! ☺

Se não tivesse feito publicidade faria… queria ser médica, será que ainda dá tempo? Também ia amar ser professora, fotógrafa, tenista, RH, palhaça, cozinheira, babá, escritora…e mais algumas coisas.

Você tem medo do que?
De magoar…as pessoas.
De perder… gente querida.
De sentir…muitas saudades.
De voar… de avião.
De cair… na rua.

O desejo do momento é… algo entre os 42,195 km, o say I do e morar na China.

E a trilha sonora da sua vida? Edward Sharpe & The Magnetic Zeros – HOME

Qual é o lugar da cidade de São Paulo que mais te define? O meu lugar predileto e também a trilha sonora da minha vida: HOME.

Qual o melhor gosto da infância? Achar que a minha vida era o centro do mundo. Ou maçã do amor.

Onde foi parar a pessoa que você queria ser? Em cada página dos meus moleskines. Cada dia ela sai um pouquinho mais do papel.