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#6 Moleskine dos outros

20 Jul

por Bárbara Bom Angelo

Inveja do Bruno Bernardo é uma constância. Inveja branca, que fique bem claro. E um dos motivos que mais atiça esse sentimento é com certeza a sua letra. É daquelas bonitas sem esforço. Simples, mas charmosa. É quase um desenho. Os meus rabiscos ficam bem tímidos ao lado dos dele.

E a criatividade? Ah, a criatividade dele também me desperta inquietação. Parece clichê dizer que um publicitário tem esse lado aguçado, mas nele isso é bem verdade. Sou a beneficiária de presentes caprichados e mirabolantes, que chegam várias vezes ao ano, sem falta. De edredons musicais até bicicleta de cestinha.

Os moleskines servem para organizar esses e muitos outros pensamentos em fileiras tão certinhas como as das fotos. Tudo para as boas ideias não fugirem ao alcance deste planner da Agência África.

Nome: Bruno Bernardo

Onde mora o corpo? Num lugarzinho entre a saúde e a estética

Onde mora o coração? Às vezes em lugares públicos em que a felicidade alcança e às vezes escondido, onde só algumas pessoas conseguem achar.

O que tem nos seus moleskines? Relatos de reuniões, insights de trabalho e lembretes…

Qual a história do seu primeiro moleskine? Ele em si não tem muitas histórias, é só uma mudança de comportamento. A partir do primeiro ficou impossível trabalhar sem ele ao meu lado, o tempo todo.

Ser canhoto é… é aceitar que as coisas não são pensadas pra você. É entender que precisamos nos adaptar, algumas vezes nos sacrificar e, no final das contas, até ter um pouco de história pra contar por causa disso.

Sei que a música te motiva bastante no trabalho. Qual a trilha sonora atual? Uma playlist de correr que passa por Mika, Phoenix, The Killers, Coldplay, Beth Carvalho, Novos Baianos, She & Him etc.

Como é o Bruno planner de agência? Incansável na busca de entender os consumidores, as marcas e dar suporte para o resto do time. Determinado.

E o Bruno planner da vida? Um sonhador com os pés no chão, se é que isto é possível. Cheio de sonhos, mas com caminhos já traçados pra chegar lá.

Em que momento a sua mente relaxa e deixa as pressões diárias para trás? É difícil desligar, mas na hora que sonho acordado com planos com a minha namorada, quando jogo bola, quando assisto a um jogo ou quando alguma atividade realmente me consome.

Qual a última coisa que você pensou ontem antes de dormir? Bora pra mais uma semana, tomara que que seja boa…

Onde foi parar a pessoa que você queria ser? Logo ali na frente. Ainda não sou, mas acho que vou ser.

Qual é o melhor gosto da infância? Da inocente irresponsabilidade com o amanhã.

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#5 Moleskine dos outros

13 Jul

por Natália Albertoni

José Azevedo só tem saudades do que já viveu. Formado em Comunicação Social, Publicidade e Propaganda pela Universidade Federal do Espírito Santo, sente falta dos tempos da faculdade, mas seu lance é daqui para frente.

Natural de Vitória (ES), já esteve de passagem na terra da garoa, mas fincou raízes bem longe daqui. De Bremen, onde mora com a esposa alemã, o diretor de arte e ilustrador ainda assina alguns trabalhos para o Brasil, mas no momento quer estudar.

Começou a desenhar nos lendários caderninhos usados por Picasso e Hemingway em 2009, quando andava desiludido com a profissão. Sua inspiração vem de filmes, livros, das ruas, da família, de rodas de boteco com os amigos.

Até hoje já preencheu cinco Moleskines com seus traços coloridos. Mas acha pouco. Seus Sketchbooks são seu vício e sua libertação. Para entender um pouquinho mais sobre quem está por trás dessas peças que você vê aqui, segue a entrevista que fiz com José por e-mail.

O nome que aparece no seu RG:  José Alves de Azevedo Neto.

Apelido/nome artístico: José Azevedo.

De onde é? Vitória, Espírito Santo.

Para onde vai? Na verdade já fui. Moro em Bremen, norte da Alemanha.

Você já morou em São Paulo. O que mais gosta e sente falta na cidade? São Paulo é uma cidade fantástica. Gosto de muitas coisas. Mas o que eu mais sinto falta, por incrível que pareça, é do McDonald’s 24h na Henrique Schaumann com Rebouças.

 Você trabalhou com clientes grandes. Qual foi o maior projeto que você comandou profissionalmente? E o que abriu mais portas? E aquele que você mais gostou? A peça “Sabores do Mundo” para a Häagen-Dazs consistia em criar jogos americanos para uma promoção que eles fizeram. Esse job estava parado na agência havia um ano. Foi e voltou do cliente inúmeras vezes. E eles aprovaram a minha idéia e ilustra de primeira. Considero um dos maiores [trabalhos] devido à dificuldade. Foi o primeiro de ilustração pelo qual eu recebi alguma grana.

Trabalhar para a Super Interessante foi muito gratificante e me abriu muitas portas. Senti orgulho ao ver um trabalho meu em uma revista tão legal e conhecida. Mas os que mais gosto são meus Sketchbooks. Eles estão alheios a qualquer julgamento. Eu faço o que quero, como quero, sem ninguém dar palpite. É libertador.

Como você explicaria o seu trabalho para a sua mãe? Minha mãe sabe bem o que faço. Ela me viu desenhar desde criança e ouviu muito minhas lamúrias de trabalho, de chefe, de cliente…

O que veio antes: a arte ou o trabalho? O trabalho. Ele me deu condições para gostar mais de arte.

Lembra quando comprou seu primeiro Moleskine? Como foi? Sim. Eu tinha voltado a Vitória, depois de quase dois anos em São Paulo. Estava buscando outros caminhos, já que estava um pouco chateado com a publicidade. Entrei no Mercado Livre e comprei um pacotinho com três Moleskines. Daí comecei a desenhar frenéticamente. Virou um vício (bom) mesmo. Eu já desenhava muito, mas perdia meus desenhos porque usava folhas avulsas. Então foi meio que uma descoberta.

O que são suas peças? Algo que tenho paixão por fazer.

Tem um preferido entre seus Sketchbooks ? Tenho alguns desenhos preferidos: o I Love Beer e o Bota na Conta do Papa, por exemplo.

Você já foi premiado por seu trabalho. Qual prêmio representa mais para você e por quê? Receber prêmios é muito bom. Eu seria hipócrita se dissesse o contrário. Mas, para ser sincero, o que mais me agrada é ver a repercussão sobre meus desenhos nos Sketchbooks. Porque é algo que mostra quem eu sou, não só profissionalmente, mas pessoalmente também. (ô loko, mêu.)

Qual é o seu lugar preferido para criar? Pode ser em qualquer lugar sem muito barulho, um bloquinho de papel e minha lapiseira.

O que você mais gosta de fazer quando precisa fazer nada? Tem algum hobby? Adoro cozinhar. Sou fã do Gordon Ramsay (chef inglês), vi todos os shows dele.

Qual sua maior preciosidade? Acho que o que aprendi até aqui. Minha mãe e minha sogra sempre falam: podem tirar tudo de você (materialmente falando), menos o seu conhecimento.

Tem saudades de alguma coisa que você não viveu? Tenho saudade de coisas que vivi. Da UFES, da minha banda, das Copas Caroço na casa do Mendonça e do Pegoretti… Mas não tenho muito essa de momento nostalgia. Foi legal, mas o lance é daqui pra frente.

Para ver mais, clique aqui.

#4 Moleskine dos outros

6 Jul

por Natália Albertoni

Atrás dos aros pretos que escondem parte do rosto, os olhos do Mau atentam para os mínimos detalhes. Protegido por uma barba sempre por fazer, o sorriso meio irônico, meio lateral aparece criterioso.

Apesar da seriedade no dia a dia, Maurício tem coração mole. Diretor de criação de uma agência em crescimento gradual e intenso defende ideias nas quais acredita, mesmo que não sejam suas! Dá dicas sobre como não deixar um cliente fazer do funcionário, um secretário de pequenas causas e até relembra histórias engraçadas e pessoais para não deixar que alguém se sinta mal por dar aquele fora.

Normalmente o publicitário e designer veste preto, jeans, tênis e um caderninho que está sempre à mão. Neste cabe a Agência Ideal inteira, cabe até um projeto secreto que ele não pode explicar.

O nome que aparece no seu RG: Maurício Fogaça

Apelido: Mau

De onde é? Do abstrato

Para onde vai? Pro concreto

Onde e com quem você mora? Moro numa casa próxima do museu do Ipiranga, com mulher, filha e cachorro.

O que mais gosta em São Paulo? O céu azul no mês de Maio, junto com o verde das (poucas) árvores. Vivo nos parques, mas sou meio “do-contra”: gosto de ir ao parque depois da chuva, ou quando está muito frio. Adoro cheiro de terra molhada.

Como você explicaria o seu trabalho para a sua mãe? Mãe, não vou te explicar porque você não vai entender, mas eu te faço um cafezinho delicioso, quer?

Qual sua maior preciosidade? Fora minha família? Minha lente 85mm. É rara pra caramba (de 1972) e faz fotos excelentes.

Lembra quando comprou seu primeiro Moleskine? Comprei um grande, não me adaptei ao formato. Agora prefiro os menores.

O que tem no seu Moleskines hoje? Basicamente, trabalho: tem anotações das reuniões que participo e alguns rabiscos de brainstorms. Não tem nada pessoal.

Para onde você o leva? Pra todas as reuniões da agência.

Qual o projeto mais ambicioso que você já desenhou em suas folhas? Um projeto para as olimpíadas 2016, que não posso comentar (:

#3 Moleskine dos outros

29 Jun

por Bárbara Bom Angelo

De um dia para o outro lá estava ela, gorda até não poder mais, dividindo a atenção da minha mãe, que eu já tinha só pela metade. Ela recebeu o nome que eu escolhi, Letícia, e a partir daí dançou, o vínculo estava feito para sempre.

Agora ela já tem 21 anos, mas insisto em manter o “zinha” logo depois de irmã. E preciso parar com essa mania, não resta nada de pequeno nela. No ano passado, a Letícia criou sua marca própria de roupas e daqui uns meses vai estar formada em Propaganda e Marketing e Moda. Coisa chique não?

E foi por conta desse segundo curso que ela começou a preencher caderninhos. O primeiro foi um presente meu e agora ele está tomado por desenhos de moda. Dá um orgulho que só vendo.

 

#2 Moleskine dos outros

22 Jun


por Natália Albertoni

Com fones de ouvido enormes capaceteando os pequenos caracóis dos seus cabelos, Soma vive em uma terceira dimensão na qual o amarelo, o azul-céu e o vermelho estão sempre presentes.

Na redação da agência em que trabalha, quando não está finalizando projetos gráficos de clientes, está fazendo arte. Na lata do desodorante, numa folha em branco que pode virar estampa de camiseta, na tela do computador, nas páginas de seu Moleskine.

Da dança ensaiada de suas canetas surgem silhuetas multicoloridas, rostos desfigurados, referências e um pouco de sua soma existencial. Em uma divertida entrevista ping-pongue para a segunda edição do Moleskine dos outros, ele mostra mais do seu temperamento, de suas tonalidades e do sotaque carioca presente em suas obras.

O nome que aparece no seu RG: Alexandre Alves Lobo.

Nome artístico: Soma.

De onde é? São Gonçalo, Rio de Janeiro.

Para onde veio? De um SPTZ.

Para onde vai? Lugar nenhum.

Onde você mora? São Paulo.

O que mais sente falta da cidade natal? Curvas.

O que mais gosta de São Paulo? Tudo ao mesmo tempo agora.

Você é formado em alguma faculdade? Qual? Desenho Industrial.

Como você explicaria o seu trabalho para a sua mãe? Mãe, deu merda!

Lembra quando comprou seu primeiro Moleskine? Eu ganhei do Duccio, meu ex-chefe. Ele trouxe da Itália.

O que tem nos seus Moleskines hoje? O que eu estou.

Quando decidiu fazer arte? Quando houve o “Big Ban”, se aconteceu mesmo…

Quantos caderninhos você já preencheu com seus desenhos? Estou no segundo Moleskine, um “japonês”.

O que são suas peças? O meu nome: SOMA.

No segundo semestre você participa de uma exposição? Sim, será uma pintura na vitrine que está em frente ao “Cine Bombril” dentro da galeria do Conjunto Nacional. Vou pintar um “Cybernauta”, fazendo alusão ao Neuromancer e ao Count Zero, livros de William Gibson que estão influenciando meus trabalhos atuais. Será no último sábado de setembro, dia 24.

Tem alguma mensagem?  Se você tem qualquer vontade artística NUNCA deixe NINGUÉM dizer que é uma tolice. Tolice é não fazer.


Para ver mais, clique aqui.

#1 Moleskine dos outros

15 Jun

por Bárbara Bom Angelo e Natália Albertoni

Ele fica ali no bolso da camisa, no fundo da bolsa ou debaixo do braço. Está disposto a tudo, a qualquer desabafo, confissão ou ataque de raiva. Aceita caneta, lápis e até mesmo manchas. Ele é aquele carderninho rasgado, o moleskine decorado, o bloco escangalhado.

Nele qualquer coisa é pessoal, secreta, íntima. Difícil abrir as páginas sob os olhos dos outros sem um aperto no coração.

E por entender o quanto as folhas de uma caderneta podem contar sobre seu dono, o Verdades começa nesta quarta-feira uma série de posts com fotos dos moleskines dos outros. Os outros aficcionados por extrair da mente todas as ideias que merecem o glamour de serem marcadas no papel.

Nada mais justo do que começar com as nossas observações do mundo. Então, aproveitem.


Em sentido horário:
1. Foto dos meus pais mocinhos que carrego em todo caderno novo
2. Página dedicada a projetos de tatuagens, até arrisquei uns desenhos
3. Pilha de cadernos
4. O $$$ do mundo todo pelo meu moleskine de volta
5. Rascunho do presente que acabei de entregar para o namô. Um vídeo em stop motion, que você pode ver aqui.
6. Frases preferidas de Guimarães Rosa, o meu preferido, sempre.

 

O que eu guardo:
1. As minhas melhores coisas do mundo.
2. Trechos de músicas que gosto muito, muito, muito.
3. Citações de escritores que admiro e trechos de diálogos cinematográficos que me fazem pensar.
4. Fotografias roubadas da minha madrinha da época que ela usava botas brancas de cano longo.
5. Bilhetes, postais e guardanapos de restaurantes ou bares que gostei de conhecer.
6. Toda a história que antecedeu o meu namoro e as delícias do durante.
7. Crônicas, perguntas sem respostas, rascunhos do livro que quero escrever algum dia.
8. Dicas para mim mesma como escritores para ficar de olho e outros clássicos que preciso conhecer .
9. Impressões de filmes que assisti e comentários sobre entrevistas que fiz para a extinta revista Movie.
10. Ótimas canções ou bandas que descobri recentemente.
11. Músicas desenhadas.
12. A casca de uma das uvas que a Cat Power lançou para o público depois que terminou o show (manchou várias páginas).
13. Transcrições de algumas mensagens de celular especiais.
14. Uma conversa sincera que tive com um grande amigo sobre parceria em relacionamentos.
15. Segredos.