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Céu no Coachella

19 Jan

por Bárbara Bom Angelo

E não é que Vagarosa vai acabar conquistando o mundo? Pois é. Céu vai à cidade de Indio, na Califórnia, derramar a sua voz de nuvem no último dia do festival Coachella, que acontece entre 16 e 18 de abril. É a mesma data em que vão tocar a lendária Sly and the Family Stone, Phoenix, Charlotte Gainsbourg, Julian Casablancas e Thom Yorke.

Fora esses aí de cima, ia entrar em estado de êxtase se pudesse ouvir mesmo que alguns poucos acordes ao vivo de Vampire Weekend, MGMT, Gossip, Girls, Hot Chip e Camera Obscura.

O que compensa a impossibilidade de ir até o deserto escutar apenas música bacana é saber que nesse período vou estar entre Budapeste e Praga. Ah, as férias!

obs: li esses dias a ótima entrevista que o Guilherme Werneck fez com a Céu para a Tpm. É bem comprida, mas vale cada segundo gasto.

Can’t touch this!

25 Jun

Festival em seu bolso

16 Abr

coachella

por Bárbara Bom Angelo

Durante três dias o árido Vale de Coachella, na Califórnia, será tomado por fãs de uma maioria de bandas praticamente desconhecidas em terras verde-amarelas. No total, 130 atrações musicais se dividirão por cinco palcos da décima edição do Coachella Music & Arts Festival.

Os shows mais esperados são o do solitário beatle Paul McCartney, do The Killers e do The Cure, que se apresentam no palco principal a partir dessa sexta-feira (17). No lineup de famosos ainda estão presentes o Franz Ferdinand, o neo-hippie Devendra Banhart, o Chemical Brothers, a cantora M.I.A. e o brasileiro Gui Boratto.

Mas se você, assim como eu, não pode se dar ao desfrute de gastar milhares de reais numa viagem relâmpago pelo extremo oeste dos Estados Unidos e nem de inventar uma desculpa fantástica e fantasiosa no trabalho, existe um jeito de acompanhar tudo que se passa por lá por meio de seu Iphone.

Os organizadores do festival criaram um aplicativo gratuito para o celular da Apple que permite acompanhar os horários das apresentações, fazer o download de fotos tiradas pelo público, encontrar amigos que estejam por lá e acessar um mapa interativo do local.

Se você não tem Iphone pode conferir o que está acontecendo pelo site oficial do evento e até mesmo pelo twitter. É bom acompanhar, porque sempre depois desse festival novas bandas alternativas ganham notoriedade e você não vai querer ficar perdido em conversas ao redor de mesas de bar.

Uma vida em 128 minutos

19 Fev

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por Bárbara Bom Angelo

Harvey Milk não acreditava que chegaria aos 50 anos. Estava certo. No dia 27 de novembro de 1978, o primeiro homossexual assumido a ocupar um cargo público nos Estados Unidos foi assassinado por um colega de gabinete, dois anos antes de completar a idade temida por tantos.

A trajetória política e amorosa de Milk, interpretado por Sean Penn, é trazida para às grandes telas pelo diretor Gus Van Sant, abertamente gay e fã do personagem que até então era um desconhecido fora de sua terra natal.

Por se tratar do trabalho do responsável por Elefante e Paranoid Park – filmes nada convencionais e maravilhosos pelo grau de experimentalismo –, a métrica tradicional e sem surpresas de Milk – A Voz da Igualdade decepciona.

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O verdadeiro Harvey Milk em sua cadeira na prefeitura

A sensação é de que muito pouco foi contado sobre ele. A vida de um homem parece ter sido espremida em insuficientes 128 minutos. A complexidade de Milk não é exposta e, assim, gravamos a imagem de uma pessoa alegre e determinada, mas não entendemos suas motivações íntimas, seus conflitos ou dúvidas.

Rapidamente Milk se transforma de corretor de seguros envergonhado de sua orientação sexual em alguém louco por adentrar na política e lutar pela comunidade gay. No entanto, perdemos o meio dessa mudança e nos deparamos com uma pessoa com tanto desejo de chegar lá que muda toda sua aparência e jeito de se portar.

A grande expectativa frustrada não apaga as ótimas atuações de Sean Penn, Emile Hirsch e Diego Luna. O segundo está praticamente irreconhecível sob volumosos cabelos encaracolados e grandes óculos de grau. Até mesmo a voz de Hirsch, famoso por Alpha Dog e Na Natureza Selvagem, parece pertencer a outra pessoa.

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Emile Hirsch como Cleve Jones

Josh Brolin, que faz o papel de Dan White, o supervisor que matou Harvey Milk e o prefeito George Moscone, está concorrendo ao Oscar de melhor ator coadjuvante, mas não impressiona tanto. O personagem de vilão enrustido com certeza é mais rico do que o protagonista, mais ainda assim não é suficiente para desbancar o Coringa de Heath Ledger.

Com a capacidade de mobilizar mais de 30 mil pessoas em uma passeata silenciosa pelas ruas de São Francisco, uma homenagem póstuma a suas conquistas, Harvey Milk deve ter sido muito mais do que se pode assistir.

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MILK – A VOZ DA IGUALDADE
Produção: EUA, 2008
Diretor: Gus Van Sant
Duração: 128 min
Prêmios: SAG – Melhor ator (Sean Penn)
Indicações ao Oscar: Melhor filme, Diretor, Ator (Sean Penn), Ator coadjuvante (Josh Brolin), Roteiro original, Trilha sonora, Edição e Figurino

O filme estreia nessa sexta-feira (20) nos cinemas.