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De mãos dadas por uma vida toda

12 Jan

por Bárbara Bom Angelo

Coisa linda de viver esse curta feito por Will Mazzola, que está concorrendo ao Microcinema Festival. Vote nele aqui.

Os melhores filmes de todos os tempos em citações

5 Jan

por Natália Albertoni

O “blogfólio” I should really get out more é uma fonte divertidíssima de ilustrações, pôsters, infográficos dos temas mais variados. Cria do ilustrador Wayne Dorrington, o endereço funciona como uma revista digital para “compartilhar frustrações criativas e alguma arte”, na própria definição do autor. Também designer,  ele trabalha na Beyond, em Londres, com clientes super bacanas como Google, Sony, Ebay e Paypal.

Top 50 Highest Grossing Movies of All Time é uma colorida seleção dos 50 filmes com as melhores bilheterias de todos os tempos, como o título sugere. A graça foi usar citações marcantes de cada uma das produções, ajustando o tamanho das mesmas com os números do IMDB.  É só clicar para ficar giga.

 

#13 Moleskine dos outros

13 Out

por Bárbara Bom Angelo

Ela pegou a coragem, colocou na bolsa e se mandou pra Nova York. De lá, quer tirar tudo o que for possível, mas no momento se concentra em um curso de cinema que me deixa morrendo de inveja. Eu só a encontrei para valer, cara a cara/olho no olho, uma vez. Mas foi suficiente. Encontrei nos seus olhos gigantes uma comparsa de gosto, seja por música, livros, tatuagens…

E os moleskines da Martina Sonksen talvez sejam os mais sortudos desta seção até agora. Vida boa de um caderno que recebe todos os dias impressões de uma cidade como NY, resenhas de shows fantásticos que acontecem a qualquer momento, exposições que nem vamos sonhar em ver etc etc etc. Enfim, leia a conversa abaixo e abrace sua dor de cotovelo.

Onde mora o corpo?
O corpo mora atualmente em Nova York. Onde ele anda mais feliz, leve e com algumas dores na costas, já que aqui ele carrega todas as sacolas e bolsas pesadas pra todo canto. Às vezes também carrega colchão, mala, mesa, cadeira e mais móveis durante as várias mudanças de apartamento que já rolaram.

Onde mora o coração?
O coração mora divido. Mora metade em São Paulo, com minha família, amigos e meu cachorro (que eu morro de saudade) e a outra metade mora aqui em NY. Desde que cheguei pra morar aqui no primeiro dia, eu já sabia que meu coração jamais iria ser de uma cidade só.

O que tem nos seus moleskines?
Meus molekines são divididos por assuntos, mas não sou tão organizada quanto possa parecer. Além de sentir que penso melhor ao escrever e a minha memória é muito ruim, eu anoto tudo o que vejo, descubro e fico sabendo.

Tenho moleskines de estudos, aulas e cursos. Tenho outro menorzinho que fica na bolsa sempre, que é pra anotar coisas que vejo em exposições aqui em NY, coisas que vejo na cidade, pensamentos momentâneos, músicas e bandas que eu descubro o nome, ou seja, tudo aquilo que acontece enquanto eu tô na rua. Tenho outro só dedicado aos meus sentimentos e desabafos, tipo um diário mesmo. E um outro essencial com tudo o que preciso fazer, contas pra pagar etc.

Da onde veio o nome Martina?
Putz, minha família é uma bagunça. É alemão com holandês com italiano. Meu nome com certeza tem alguma origem gringa, que eu deveria saber qual é, mas não sei. Meus pais escolheram porque achavam um nome forte.

Que história foi essa de largar as coisas no Brasil e se mudar para Nova York?
Pois é… NY foi uma cidade que eu sempre quis morar. E eu tava louca pra estudar cinema/documentário. Mas tudo aconteceu do jeito certo. No tempo que tinha que acontecer. Eu juntei dinheiro, pesquisei escolas e fiz processos de bolsas que me interessavam e quando tudo parecia possível, resolvi fazer as malas e vir.

É tudo o que você esperava?
Já que só tinha vindo pra NY antes como turista, eu não achava que a cidade era tão dura assim. NY é uma cidade intensa. É um cidade que você sente todos os sentimentos possíveis ao mesmo tempo. É uma cidade que endurece as pessoas. E ao mesmo tempo ela está me ensinando o que é necessário ser valorizado na vida, ela tem me mostrado as coisas que eu não tolero.

NY é uma cidade onde você conhece muita gente que tá na mesma situação que você. É uma cidade jovem, é uma cidade para as pessoas trocarem ideias, pensamentos, projetos e produzirem. Afinal a cidade é tão cheia de estímulos e de acontecimentos inspiradores que acaba por desafiar as pessoas a entender a vida de uma perspectiva diferente. É como uma amiga minha diz: “parece que Nova York exige que a gente seja para ela o que nunca fomos para nenhuma outra cidade.”

Adoro ver suas fotos no Instagr.am. Dá uma inveja branca de ver os shows e exposições que você tem ido. Quais foram os melhores programas até agora?
Vivenciei algumas programas incríveis em NYC, como: The Strokes no Madison Square Garden, Paul [McCartney] no Yankees Stadium, exposição do Alexander McQueen no MET, ver a Cherry Blossom Season no Brooklyn Botanic Garden, show no Central Park de graça, a peça Sleep No More no Chelsea, conseguir ingresso pra assistir Shakespeare in the Park no Central Park, Central Park no verão etc. Mas mesmo assim eu ainda acho que o melhor programa em NY é viver a cidade, andar na rua, prestar atenção nas pessoas no metrô, curtir os museus e as exposições, todas as produções artísticas e os shows. A cada esquina existe um lojinha interessante, um restaurante pequeno, uma nova galeria de arte, uma nova exposição, um novo show e por aí vai. Dá até uma sensação de que você tá perdendo algo incrível que tá rolando a cada segundo.

Sei que você está trabalhando em um projeto. Dá para contar o que é?
Como uma boa geminiana, eu tô trabalhando em vários projetos ao mesmo tempo. Fiz várias coisas bacanas durante esse ano, como direção de arte pra alguns curtas, filmei com a galera em lugares que eu jamais achei que iria e conheci muita gente interessante. E agora tô trabalhando na minha tese da escola, um curta sobre uma bailarina brasileira que mora aqui em NYC. E também produzi um curta sobre caras que cuidam de pombas em Bushwick, no Brooklyn. O trailer pode ser visto aqui.

Onde foi parar a pessoa que você queria ser?
O que eu quero ser está sempre em movimento, mudando. Acho os desafios na vida vão fazendo a gente se mexer, sair do lugar comum, tomar decisões inesperadas. Não tenho medo de mudanças, tenho medo de ficar empacada, fazendo a mesma coisa todos os dias da minha vida. Óbvio que eu procuro estabilidade, mas acho que é sempre mais válido tentar e descobrir um novo caminho ao invés de ver a vida passar e não desafiá-la.

Qual o melhor gosto da infância?
Não sei se a gente romantiza muito a infância, mas eu acho que é mesmo a melhor fase da vida. E temos que fazer um esforço para manter um pouco de infância para sempre dentro da gente, se não a gente para de ver beleza nas coisas da vida.

O melhor gosto da infância é, literalmente, de areia. Lembro ficar horas no mar até tomar altos caldos e comer muita areia.

A pergunta que não quer calar, você volta?
Ai, ai. Eu não quero voltar não. Mas eu também não sei o que vai acontecer nos próximos meses.

#12 Moleskines dos outros

1 Set

por Natália Albertoni

Quando pequeno Paulo Leierer sonhava em ser presidente do Brasil. A vida tomou rumo diferente e, ao invés de um país, ele agora comanda câmeras e seu pequeno negócio. Ao lado de quatro amigos criou a produtora Toca dos Filmes, uma ficada de carnaval que terminou em namoro, na sua própria definição.

Se precisasse sintetizar em uma palavra o que significa fazer cinema por aqui, escolheria “frustrante”. Apesar do pessimismo em torno das políticas cinematográficas e das dificuldades herdadas da profissão, vai muito bem, obrigada. Dirigiu filmes de campanhas publicitárias como a do patrocínio da Topper para o Rugby, videoclipes, pilotos para TV, além de dois curtas, sendo que um deles, O Dia M, foi premiado no Hollywood Brazilan Film Festival.

No seu Moleskine, esconde apenas textos, ideias de roteiros, cenas ou diálogos. Não mostraria suas palavras soltas para qualquer um. Mas com muito bom humor, ele topou abrir uma exceção, suas páginas, a cabeça. Dá uma olhada.

Como explicaria o seu trabalho para sua mãe? Putz, já tentei várias vezes. Dirigir um filme é semelhante a ser um técnico de futebol. Você escala o time (forma a equipe), analisa o jogo (o roteiro), monta uma tática (pensa na direção da câmera e dos atores), administra pessoas (egos) e negocia com o cartola (o produtor). Você não entra em campo, mas explica como e porque o time tem que jogar daquela maneira e o filme ser rodado daquele jeito. Precisa ter tudo sob controle e, ao mesmo tempo prever o imprevisto, estar aberto para ele. No final, se o resultado for positivo, o time jogou bem. Se for negativo, o técnico vai pro olho da rua. Acho que essa explicação não daria tão certo porque minha mãe nada entende de futebol, mas o espírito é esse.

Qual é o seu lugar preferido no mundo que você conhece? São dois. O meu quarto é o segundo lugar onde me sinto melhor, perdendo apenas para o set de filmagem.

Que história é essa de cover do Tim Maia? Você tem uma banda? Não! Isso é apenas uma piada porque sou o anti-Tim Maia. Magro, branquelo, desafinado e com o gingado do Clint Eastwood.

Quando você comprou seu primeiro Moleskine? Ganhei de aniversário. Nunca comprei porque achava muito caro prum “caderninho da moda”. Mas hoje em dia eles se tornaram necessários.

O que tem nos seus caderninhos? Ideias de roteiros, cenas ou diálogos. Só textos. Na maioria das vezes tento escrever uma ordem de cenas. Uma ideia surge de forma muito caótica e eu uso o Moleskine para tentar esquematizar, desmembrar e questioná-la.

Você é sócio de uma produtora de filmes. Como isso aconteceu? Foi meio por acidente. A gente abriu a produtora basicamente para emitir as notas fiscais dos freelas que estávamos fazendo. A coisa foi crescendo, fomos fazendo alguns trabalhos para alguns clientes, até oficializarmos. Foi uma ficada acidental e despretensiosa de carnaval que terminou em namoro.

Como é trabalhar com cinema no Brasil? Em uma palavra: frustrante. A política vence as ideias e, para quem quer trabalhar com a segunda, é um golpe duro. Por isso que tenho tentado abrir o leque um pouco mais, e trabalhar também com séries de TV e filmes publicitários.

Qual é o seu filme preferido? Paris, Texas [Wim Wenders].

Qual diretor o inspira? O meu negócio hoje é o humor. Gosto muito de como o Judd Apatow  traz assuntos relevantes e universais de forma engraçada, do cinismo dos Irmãos Coen, do nonsense do Monty Python, da neurose do Woody Allen, da mesquinhez do Larry David e do desconforto do Ricky Gervais. Tenho achado os filmes muito bunda mole. Hoje tenho muito mais tesão em séries do que em filmes.Tenho gostado muito de Seinfeld, The Office, The West Wing, Californication, Breaking Bad, House, Mad Men e Studio 60.

Qual é a trilha sonora da sua vida? Ultimamente tenho ouvido Bon Iver, Neil Young, Bob Dylan, Dinosaur Jr., Thurston Moore, Bill Callahan e Wilco, além dos clássicos Beatles, Stones, Velvet Underground, Janis Joplin. Vario, mas não sou eclético.

Qual é o projeto mais ambicioso impresso no seu moleskine? Já saiu do papel? Já sim. Rodamos três pilotos de série de TV que saíram dele! Um deu em nada, outro foi negociado e um está em finalização.

Você já fez dois curtas, entre eles O Dia M, que foi exibido em festivais internacionais, incluindo o Hollywood Brazilian Film Festival. Imaginava isso acontecendo na sua vida? A resposta é bem pretensiosa, mas sim. Quando você está fazendo um filme, quer que ele seja exibido no maior número de lugares possíveis. Evidente que a cada festival que o filme entrava era uma surpresa mais do que bem-vinda, mas gostaria que tivesse entrado em mais festivais ainda. Agora, se você me pergunta se eu imaginava isso quando era criança, eu não imaginava. Eu queria é ser presidente do Brasil.

Pretende fazer um longa? Sim, mas não agora. Agora eu não tenho dinheiro, contatos, nome, tempo e talento. Terei que esperar mais uma ou duas copas do mundo.

Se sua vida fosse um filme como seria a primeira cena? Se eu tivesse me tornado realmente presidente, poderia ser uma plano-sequência rebuscado, como no começo de O Jogador [Robert Altman], A Marca da Maldade [Orson Welles], Boogie Nights [Paul Anderson] mas como minha vida é ordinária demais pra isso, pode ser um começo de filme tipo o Anniel Hall [Woody Allen], que resume nossa existência em duas piadas.

#11 Moleskine dos outros

24 Ago

 

por Bárbara Bom Angelo

Otávio Suriani tem 21 anos e está no terceiro ano de Cinema na FAAP. É, ele faz cinema, diria Chico Buarque. E ele faz também anotações frenéticas, desenhos charmosos e rabiscos soltos em seus moleskines.

Abaixo você pode conhecer um pouco mais dele e esquecer de que é tão jovem assim. As respostas tem um quê de alma antiga.

Onde mora o corpo? Planeta Terra, Brasil, São Paulo. Se não conhecer é só procurar no Google Earth que lá é fácil de achar. Aí dá um zoom-in em algum carro parado no trânsito. Se não for eu, deve ser alguém parecido.

Onde mora o coração? Dentro do corpo descrito acima.

O que tem nos seus moleskines? Desenhos, escritos, anotações…um pouco de tudo.

Fazer cinema no Brasil é… Foda. É como apertar um parafuso com um martelo.

Todos têm algum filme que gostam secretamente, aquele que não deveríamos nem assistir. Qual a sua paixão trash? Quando o filme é ruim, não dá nem pra gostar… Acho que aqueles que escondem o verdadeiro gosto, em qualquer coisa, querem criar um imagem de si mesmo compatível com alguma construção ideológico-cultural na qual não se encaixam, mas querem fazer parte. Uma espécie mais radical de ser-para-o-outro. Mas, pra não deixar a pergunta sem resposta, já que estamos falando em trash, Videodrome do Cronenberg é bem trash, mas é ótimo. Os filmes da Boca do Lixo também são trash e sensacionais, assim como todo cinema marginal brasileiro. E, afinal, quem não dá umas risadas com uma bela pornochanchada…

E o melhor de todos? Terra em Transe, do Glauber Rocha.

Qual a trilha sonora da sua vida atual? Jazz e barulho de obras.

Algum projeto em andamento? Uns filmes, uns roteiros… O de sempre.

Onde foi a parar a pessoa que você queria ser? Ainda nem sei a pessoa que eu quero ser.

Qual o melhor gosto da infância? Camarão à provençal, milho de praia, água de coco.

Uma dica para os que se distraem facilmente

28 Jul

por Bárbara Bom Angelo

A diretora Miranda July fez o curta acima para divulgar o lançamento do seu novo filme, The Future, que estreia amanhã nos Estados Unidos.
Dica preciosa, ainda mais para alguém que entra em férias a partir desta segunda-feira.