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Nossas apostas

22 Fev

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por Bárbara Moreira e Natália Albertoni

Dentro de algumas horas vamos conhecer os vencedores da última premiação da temporada do cinema mundial, o Oscar. Enquanto não chega o momento de acompanhar os longos discursos que serão interrompidos pela famosa musiquinha, você pode conferir as apostas deste humilde caderno sem linhas para as principais categorias.

É quase certo que a estatueta de melhor filme vá para Quem quer ser um milionário?, dirigido por Danny Boyle. Além de mostrar uma história envolvente e com ótimo ritmo, a produção já levou a melhor em prêmios com Globo de Ouro e Bafta, considerados uma prévia do Oscar.

Há também de se considerar a dificuldade da empreitada, que contou com um elenco de maioria indiana e sem experiência anterior em atuação. No começo do filme, as duas crianças que representam o protagonista Jamal e seu irmão Salim falam apenas hindu. Foi impossível encontrar atores mirins locais que soubessem o mínimo de inglês. Se as previsões se confirmarem, este será o primeiro Oscar do diretor, que também está por trás de Trainspotting.

Já na categoria melhor ator, a competição está bem acirrada. Mickey Rourke, que faz o papel de um ex-campeão de luta livre em O Lutador, está um pouco à frente. Ele recebeu recentemente o Globo de Ouro e o Bafta por seu trabalho. No entanto, o SAG Awards, prêmio concedido pelo Sindicato de Atores de Hollywood, ficou com Sean Penn por Milk – A Voz da Igualdade.

Sean Penn claramente absorveu os trejeitos do político gay Harvey Milk, mas como o papel não consegue mostrar a complexidade natural de qualquer ser humano, o ator não pôde mostrar muito de seu já reconhecido talento. Penn ganhou seu primeiro e único Oscar por Sobre Meninos e Lobos, em 2003.

Já Rourke, sem representar um personagem de peso há tempos nas telonas, abraçou a oportunidade dada pelo diretor Darren Aronofsky com todos os músculos, força e fios de cabelo oxigenados. Considerado sex simbol nos anos 80, está quase irreconhecível na pele de Randy “Carneiro” Robinson. Por toda sua conturbada tragetória e reviravolta, deve levar a estatueta.

Brad Pitt também está na disputa, assim como os não tão famosos Frank Langella e Richard Jenkins, mas não deve atrapalhar a queda de braço dos dois favoritos. O papel em O Curioso Caso de Benjamin Button, não exigiu tanto do ator que impressiona mais pela transformação pela qual passa ao longo do filme.

A briga entre as mulheres também promete ser quente. A jovem Anne Hathaway, indicada pelo longa O Casamento de Rachel, impressionou os críticos e a veterana Meryl Streep sempre impressionante, recebeu a 15ª indicação ao Oscar pelo papel interpretado em Dúvida. Mas a grande aposta deste ano é Kate Winslet. Ela foi premiada com dois Globos de Ouro, um na categoria de melhor atriz em filme dramático com Foi apenas um sonho e o outro como melhor atriz em O Leitor, pelo qual ela também foi indicada ao Oscar.

O evento será exibido ao vivo no Brasil apenas pelo canal fechado TNT, às 22h. A TV Globo decidiu apenas mostrar alguns flashes dos principais prêmios. Tudo isso porque o domingo de desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro é sagrado.

Uma vida em 128 minutos

19 Fev

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por Bárbara Bom Angelo

Harvey Milk não acreditava que chegaria aos 50 anos. Estava certo. No dia 27 de novembro de 1978, o primeiro homossexual assumido a ocupar um cargo público nos Estados Unidos foi assassinado por um colega de gabinete, dois anos antes de completar a idade temida por tantos.

A trajetória política e amorosa de Milk, interpretado por Sean Penn, é trazida para às grandes telas pelo diretor Gus Van Sant, abertamente gay e fã do personagem que até então era um desconhecido fora de sua terra natal.

Por se tratar do trabalho do responsável por Elefante e Paranoid Park – filmes nada convencionais e maravilhosos pelo grau de experimentalismo –, a métrica tradicional e sem surpresas de Milk – A Voz da Igualdade decepciona.

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O verdadeiro Harvey Milk em sua cadeira na prefeitura

A sensação é de que muito pouco foi contado sobre ele. A vida de um homem parece ter sido espremida em insuficientes 128 minutos. A complexidade de Milk não é exposta e, assim, gravamos a imagem de uma pessoa alegre e determinada, mas não entendemos suas motivações íntimas, seus conflitos ou dúvidas.

Rapidamente Milk se transforma de corretor de seguros envergonhado de sua orientação sexual em alguém louco por adentrar na política e lutar pela comunidade gay. No entanto, perdemos o meio dessa mudança e nos deparamos com uma pessoa com tanto desejo de chegar lá que muda toda sua aparência e jeito de se portar.

A grande expectativa frustrada não apaga as ótimas atuações de Sean Penn, Emile Hirsch e Diego Luna. O segundo está praticamente irreconhecível sob volumosos cabelos encaracolados e grandes óculos de grau. Até mesmo a voz de Hirsch, famoso por Alpha Dog e Na Natureza Selvagem, parece pertencer a outra pessoa.

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Emile Hirsch como Cleve Jones

Josh Brolin, que faz o papel de Dan White, o supervisor que matou Harvey Milk e o prefeito George Moscone, está concorrendo ao Oscar de melhor ator coadjuvante, mas não impressiona tanto. O personagem de vilão enrustido com certeza é mais rico do que o protagonista, mais ainda assim não é suficiente para desbancar o Coringa de Heath Ledger.

Com a capacidade de mobilizar mais de 30 mil pessoas em uma passeata silenciosa pelas ruas de São Francisco, uma homenagem póstuma a suas conquistas, Harvey Milk deve ter sido muito mais do que se pode assistir.

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MILK – A VOZ DA IGUALDADE
Produção: EUA, 2008
Diretor: Gus Van Sant
Duração: 128 min
Prêmios: SAG – Melhor ator (Sean Penn)
Indicações ao Oscar: Melhor filme, Diretor, Ator (Sean Penn), Ator coadjuvante (Josh Brolin), Roteiro original, Trilha sonora, Edição e Figurino

O filme estreia nessa sexta-feira (20) nos cinemas.