Tag Archives: Sol

Presa num instante

17 Fev

foto: Bárbara Bom Angelo

por Bárbara Bom Angelo

Lembram do filme A Convenção das Bruxas? Ele reinava absoluto na Sessão da Tarde e trazia uma multidão de bruxas carecas pra dentro da minha sala. E a parte que me deixava mais perturbada não era aquela em que os garotos eram transformados em camundongos, mas, sim, uma cena bem no começo em que uma menina era trancafiada num quadro e por lá permanecia até ficar bem velhinha e desaparecer na tinta seca. Acontece que depois de olhar essa fotinho aí de cima, a ideia de morar pra sempre num instante não me pareceu mais tão ruim. Deu vontade de saltar pra dentro desse céu dourado e por lá ficar até sumir no mar de silhuetas.

A liberdade em um guarda-chuva

19 Jan

Série Umbrella por kh2rac_Flickr

por Natália Albertoni

Um dos meu sonhos é poder voar. Mas não dentro de avião, não. Queria sentir o vento penteando meus cabelos, o calor do sol cada vez mais forte, ou o princípio da chuva de verão. Ainda não escolhi o meio de transporte, mas não seria nada mal viajar na alça de um guarda-chuva.

O autor dessas fotos é Rakeem Cunningham. Ele tem 17 anos e ama fotografia. Para registrar seus devaneios, usa uma Nikon D40 apelidada de Winston Prescot Cunningham III.



Para aproveitar esse sol

7 Jan

E não é que o sol resolveu aparecer?

12 Out

A chuva e a melancolia

8 Set
imagem: devianART_*curlytops

imagem: devianART_*curlytops

por Bárbara Bom Angelo

Gotas pesadas, cheias de promessas de um dia sem dia, ficaram interrompendo meu sono cercado de papéis amassados e rolos de papel higiênico. Me peguei pensando em que momento a chuva deixou de ser motivo para eu dispensar a carona do ônibus da escola e sair serelepe pela rua, toda alegre a me molhar. A única a não ter um sorriso no rosto era minha mãe, que ficava imaginando as horas que levariam para água deixar as tramas do meu uniforme. Mas quando a vida de gente grande se impôs, os estremecimentos do céu mudaram de verbete e se tornaram sinônimo de melancolia, de horas perdidas no trânsito, das ironias de São Pedro, que parece adorar fazer o sol aparecer nos dias de batente e o esconder nos descansos prolongados. Se a gente permite, o tempo vem com sua tendência a ser rabugento e modifica coisas doces, que ficam perdidas pelo caminho. Ainda bem que gripes nos enterram na cama e fazem a mente ir além da rotina. Dia desses vou largar o carro por aí, ao estilo Um Dia de Fúria, e me banhar nas gotas que agora estarão cheias de promessas de uma vida mais leve.

Saudade do chuveirão

27 Jul

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por Bárbara Bom Angelo

Fim de semana de frio, chuva e campeonatos intermináveis de Mario Kart. A saudade do sol não para de doer. E eis que me deparo em pleno clima polar pauistano com esse ótimo texto no blog do Antonio Prata, no qual ele conta suas peripécias por uma praia no Rio de Janeiro:

Aí, chuveirão?!

Trata-se de uma cultura realmente diferente, pensei, assim que meus amigos cariocas propuseram sair da praia, colocar camisetas entre a pele e as camadas de sal e areia que nos cobriam e ir a um restaurante. Olhei em volta, já pensando nos comentários que viriam se o paulista aqui mencionasse o desejo de passar em casa pra tomar um – que isso, mané?! – banho. Para minha sorte avistei ali perto um chuveiro, saindo do meio da praia. Seria de alguém? Haveria um “tiozinho” do chuveiro? Ou pertenceria ao hotel do outro lado da rua?

Pensei em me meter ali embaixo sem pedir permissão a ninguém, mas como dizem que em Roma devemos fazer como os romanos e não vi nenhum romano tomando banho, fiquei com medo de retaliações por parte uma possível autoridade chuveiral.

Ali perto, três cidadãos de sunga contemplavam o horizonte. Seriam os, digamos, encarregados? Cheguei perto. “Por favor” – eu disse -, “eu vi aquele chuveiro ali” – ué, os caras estão me olhando de um jeito estranho – “pensei em tomar uma ducha” – será que estou falando alguma besteira? – “vocês sabem se tem que pagar alguma coisa?”. Os três ficaram me olhando uns cinco segundos, calados, como se eu tivesse dito algo tão absurdo quanto “passa a mostarda” ou “onde pego o formulário verde?”. Transposto o vale de si-lêncio, um dos sujeitos fez um leve movimento com o queixo, apontando duas outras criaturas de sunga. Repeti, receoso, o mesmo discurso cartesiano. Novamente, espanto do outro lado da linha. Um olhou pro outro como se tivesse visto um ET. Olhou-me de cima abaixo e resolveu falar, pra delírio do comparsa, que explodiu numa gargalhada: “tu dá um sorriso e tá pago, brother”.

Me vi tão paulista naquele momento que acreditei por alguns instantes estar de terno e gravata na areia. Me senti deslocado como um Ruy Barbosa chupando picolé, um Aureliano Chaves dançando axé. Eu devia ter chegado e dito: “aí, irmão, o chuveiro?”. Ou: “ami-zade, a ducha aí, valeu?”, ou, quem sabe alinda, simplesmente “aí: chuveirão?!”.
Já no restaurante (limpo!), comecei a pensar o que seria do mundo se Descartes tivesse nascido em Madureira. Ou se Kant morasse no Canta Galo. Não fui muito longe em minhas meditações metafísicas, pois o garçom apareceu e me cortou com seu inquestionável axioma: “empada!”. Demorou!

Rio e São Paulo são, realmente, países muito diferentes.

Manhattanhenge e o pote de ouro

22 Jul

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por Bárbara Bom Angelo

Meu humilde vocabulário ganhou mais uma palavra hoje: Manhattanhenge. Já ouviram falar? A palavra é uma alusão ao monumento inglês Stonehenge e serve pra denominar um fenômeno que acontece a cada dois anos em Nova York. Trata-se simplesmente da época em que o sol se alinha às ruas, que vão de leste para oeste, de Manhattan e produzem esse belo efeito captados nas fotos. Será que existe um pote de ouro além dos raios dourados?

Via Blog do Flickr

imagem: Flickr_Shaun Hawk

imagem: Flickr_Shaun Hawk

imagem: Flickr_Nanynany

imagem: Flickr_Nanynany